domingo, 14 de novembro de 2010

Urso rosa

Ja faz um tempinho que aconteceu. Escrevi e esqueci de postar! Mas pra deixar registrado aqui, aí está:

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Quem quer deixar de ser criança? Muito alem da responsabilidade que os anos dão, muito diferente de fazer aniversário, o olhar e a sinceridade de uma criança desmonta qualquer marmanjo.
Eu lavo roupa suja. Essa semana apareceu um urso rosa de 1,50m para ser lavado. Só o bichão de pelúcia já era uma novidade, vê-lo girar na secadora virou atração! Com direito a vídeo no celular!
No dia seguinte, já embalado e na prateleira, entra essa garotinha, de uns 6 anos e que aqui chamaremos de Nicole, olha pro bichão, olha pra mim e sorri. Pergunto:
_ É seu?
Ela sorridente balança vigorosamente a cabeça em sinal de positivo.
_Eu pego pra você, qué?
_Eu não vou levar hoje, ta chovendo.

No ponto de ônibus a mãe chama por ela e Nicole diz “peraí” com as mãos, olhou pra mim e disse:
_Obrigada por deixar meu urso cheirosinho, ta? Tchau!

Linda.

Hoje fez sol.
Nicole entrou na lavanderia com o uniforme da escola.
_Hoje você vai levar seu urso? – Perguntei.
O mesmo sorriso fácil e a balançada de cabeça. Atrás dela a mãe com um saco plástico proporcional ao tamanho do urso.
Quinze minutos depois ( ! ) e muita luta para embalar o bicho, ao sair da lavanderia, Nicole corre em minha direção com os bracinhos abertos, ajoelhei e ganhei um beijo e um abraço. Ganhei o dia também, diga-se de passagem!
Fiquei com remorso de ter cobrado! Faria por 1 real se pudesse.

Essa simplicidade em demonstrar o que se sente, sem malicia ou intenção, é o melhor que um ser humano pode ser. Amar o próximo como a si próprio parece ser quase impossível, mas a Nicole me fez ver o contrário.
O chato foi perceber que conforme amadurecemos pior ficamos!
Quem quer deixar de ser criança? Quem de fato lembra o que é ser uma?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

qué o quê?

Quer saber qual minha vontade? É simples, eu te conto:
Quero mandar um sms pra cada pensamento que seja relacionado com você. Seja uma merda qualquer, seja algo sério, seja um lugar que fui e gostaria que estivesse comigo ou outros tantos imagináveis que gostaria de estar com você.
Quero que apareça no meio da tarde para me dar um beijo atrapalhando minha rotina. Quero não ter rotina ao seu lado.
Quero andar de mãos dadas no verão e com braços te rodeando no inverno, com direito a mão no bolso de trás da calça jeans.
Quero acordar do seu lado e não dizer nada que meus olhos não digam
Sentir seu cheiro além do perfume. Quero seu perfume impregnado nas minhas roupas, na minha cama, no travesseiro, em minh’alma.
Quero ser exagerado, carente, moleque apaixonado mesmo sendo homem formado.
Quero deixar de escutar o mundo dizendo o que é certo e deixar só meu coração falar e discursar, dissertar, estabelecer contato direto com o que vivo sem ter medo de taxação, recriminação ou o que é pior, inveja! Mesmo sendo o ego a base de qualquer inveja, não quero tê-lo massageado se meu maior prazer é simples, puro e sincero, tão precioso que dos pecados prefiro ter a avareza do meu lado, o egoísmo e não dividir meu sentimento com ninguém alem dos que merecem.
É impossível ter tudo que queremos. Os caminhoneiros escreviam que não tem tudo que querem, mas amam o que tem. Eu não tenho tudo que amo e não reclamo!
Nunca reclamei e sempre desejei. Dessa vez não te desejo, nem te idolatro, o que quero é estar do seu lado.
Quero que dessa vez não seja como foi de outras vezes! E um raio cai no mesmo lugar, sempre! Por isso não me poupo em dizer com todas as certezas que os anos me deram: adoro-te.
Não amo, não almejo mesmo morrendo por mais um beijo, não quero nada se isso for o que quer, nada.
Quero descansar porque cansado estou de tanto quebrar.
Quebro preconceitos, tabus, a cara e o coração.
Quebro tudo!
Quebro também a regra de que as coisas no podem ser ditas, que todo mundo deve ser conquistado de uma única maneira.
Quero tudo isso e muito mais!
E assim eu sigo querendo.
Ou sonhando? Não importa.
O que mais quero agora é que não me veja como carente, como pegajoso, exagerado, xavequeiro ou coisa do tipo.
Quero dizer que um sentimento brota de graça dentro de mim sem que me veja como romântico patético.
Quero ser moderno, não ter ciúmes, nao correr atrás, mas sem deixar de ser o que sou.
Quero que entenda, são apenas possibilidades e se elas não existem, que fique claro logo de cara.
Quero te mostrar essas palavras sem medo de me achar um otário.
Quero dormir.
Quero te ver amanhã.
Quero terminar o texto.
É o que quero.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Medroso

Aí ela disse:
_André, é você que desencana quando a coisa fica mais séria. Quando a coisa vai engatilhar, quando pode rolar um namoro você espana! Cai fora. Não é comigo, nem com tal, nem com fulana, nem sicrana, é você.

E a outra disse:
_ Pode ser que você tenha se acostumado a viver só. Que goste mesmo é da solidão e quando sente que pode perder isso, você desencana.

E aí eu parei. Lembrei da primeira namorada. Depois de 3 anos de namoro, aos 21 anos, quando tudo poderia ser lindo e duradouro, quando a pressão pra um possível casamento começou ser mais freqüente, vendi o carro, tranquei a facul, deixei a mina aqui e fui pros States.
Anos depois, quando estava já morando na mesma casa com outra namorada, quando percebi a vida de casado, comecei a buscar outras coisas de novo e mais uma vez “espanei”.
Houveram outros casos e que sempre poderiam ser algo muito mais duradouro e hoje poderia ser pai, estar casado e seguindo a cartilha.

Admitir que aquilo que eu critico é bem parecido comigo é doloroso e ao mesmo tempo consolador. Realmente não se trata de achar a mulher certa, nem colocar na outra a responsabilidade de me fazer feliz. Nunca existirá a mulher perfeita que um dia sabe-se lá como eu idealizei aqui na caxola! Essa fantasia não faz mais sentido.

A responsabilidade afetiva me assusta. Não sei ao certo até onde ir nem pra onde! Ok, isso se descobre a dois e cada caso é um caso. Tempo ao tempo. E o que sempre digo pros outro agora é minha vez de escutar: Se joga André!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Labirinto

Estou num labirinto de sentimentos. Perdido entre emoções passageiras e vontades contínuas
Como sustentar um amor de anos? Como saber quem é a pessoa certa? Aquela que vai fazer o coração pular, o tempo parar, os olhos brilharem e nenhuma certeza alem do amor pairar no ar como oxigênio, essencial para se viver.
No ímpeto de que isso possa acontecer com a próxima que aparecer, com aquela que aparece sorridente e te da um beijo no rosto, cheirosa, linda, encomendada num sonho qualquer, não seguro mais minha língua, muito menos meu dedo ao pegar o celular!
As vezes acho que vivo a fantasia e digo que a realidade é um sonho. Prefiro, talvez, acreditar no amor platônico que naquele explicito, exposto, escancarado diante do nariz.
Gosto de sentir o coração bater forte por alguém, de sentir saudades, de ficar feliz ao ver a conquista alheia, de sentir mesmo distante, a felicidade que faz as lagrimas vitrificarem as pupilas.
É, sou romântico e intenso. Vivo na corda bamba pendurada sobre a cafonice, o exagero e a chatice! Se bobear caio nisso tudo e o castigo não é a dor da queda, mas o sentimento de ser um Zé Mané grudento metido a galanteador. Aí minto pra mim e lembro-me do “catador” da turma, que eu achava ser o phodão e depois descobri que era um babaca, e me comparo. “Ok, você é o gatão do momento, ta saindo com um monte de gatinha, pra um monte de babaquinha de 18 anos você é o tal phodão” – penso, e concluo: “Mas não passa de um babaca que se mostra o garanhão, mas é um pato!”
Cuen! Cuen!
Ser desprovido de beleza física me deixa com a margem de erro muito próxima de zero alguma coisa. Logo, não posso errar. Um cara bonitão pode não ter uma perna ( literalmente) e mesmo assim causar suspiros na mais bela moçoila. Ontem no Fantástico mostrou um mosquito que tem que fazer seus olhos esbugalharem o máximo possível para conseguir um dia, disputar com outro macho menos zóiudo, a tão almejada cópula!
Só isso também, cópula, sexo. No mundo animal é assim. E uma balada é o mais próximo que chegamos do instinto animal! Pouco importa minha intelectualidade, meu papo, minhas experiências se na balada o que importa é sair com a gatinha? Meo, já dizia o poeta: Me desculpem as feias, mas beleza é fundamental!
Bom, como as armas que tenho são a simpatia e o charme, modéstia à parte, e to cansado do mundo virtual, só me resta convidar para tomar alguma coisa, num ambiente legal que dê para conversar e que os concorrentes sejam menos “zóiudos” que eu!
O problema, vejam vocês, é que acaba virando amizade ou então muitos encontros são necessários. E aí, aí a gente já se conhece demais e acabamos namorando!
E os conflitos vão aparecendo: “mas não quero me envolver”, “não quero namorar”, “não quero nada sério”...
E voltamos ao começo! Como sustentar um amor de anos? Com alguém que me tire tudo isso da cabeça e que simplesmente me faça respirar, é a resposta.
Quando começamos a desenhar a linha no labirinto, sabemos onde devemos chegar, o meio que é complicado.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Não chove na minha horta

Não chove na minha horta.
Lembrei dessa frase conversando com uma amiga, mas ela tem um sentido diferente neste caso.
Quando a pessoa não fica com ninguém, não tem namorada, não consegue nem um selinho na balada por um período muito grande, dizem que “não esta chovendo na horta”.
O resultado é uma horta seca. É ai que a coisa muda
Já se sentiu seco(a) de sentimentos?
Cada um com seu caso, com sua historia, mas comigo já faz tempo que o sentimento não perdura. Nem a carência, (que me dava paixonites agudas), me dá esperança de chuva no coração!
Seria a conseqüência de estar solteiro e serem muitas as possibilidades? Ou justamente por serem tantos possíveis casos que acabamos inertes a todos? Até eu fiquei confuso agora!
A gente fica com uma hoje, outra semana que vem, outra e outra e ai? E o sentimento? Por ela é uma coisa por aquela é outra. E pras meninas idem. Eu converso com muitas e quem esta solteira vive se enroscando com casinhos de 3 meses ou menos, e que nunca rendem muito mais que isso. E sempre tem um carinha de butuca esperando a vez de mostrar qual vai ser seu diferencial.
Essa “fartura” poderia sufocar os sentimentos? Afinal, muita água pra algumas plantas pode ser fatal. Morrem afogadas.
O doido é que por um tempo, mesmo que algumas horas, sou capaz de saciar minha vontade de estar com alguém e me entrego inteiramente àquele momento. A ponto de sentir me um namorado de anos. Mas quando o telefone desliga, o status muda pra offline, a porta do carro fecha, a cama fica vazia, o sentimento vai junto! Acho que já pensamos tantas vezes que ela (e) não vai ligar, que nunca mais nos veremos, ou que nunca mais vamos ficar, enfim, ficou implícito que ficar é uma noite, ficantes são algumas e daí pra frente a coisa pode complicar. E isso se repete continuamente até acostumarmos com a falta de compromisso, com a superficialidade, com nada alem e o amor, a paixão, o bem querer ficam cada vez mais fraquinhos lá dentro do peito.
O ego masculino fica inflado por algum tempo, nos achamos os pegadores. Mas sempre tem o momento sozinho onde paramos pra pensar se vale a pena. Obviamente só pensamos nisso mais velhos, aos 20 viva a pegação!
As meninas, boa parte delas, se perdem nessa doidera. Sempre rola uma chateação, uma decepção, um choro básico!
A onda agora é essa secura! Estou seco de sentimentos e o céu das possibilidades está carregado, mas não chove na minha horta. A previsão? Nem clima tempo sabe!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cara Chato!

Po, que cara chato! Já é o terceiro sms hoje!
Outro dia recebi um email falando do pior dos signos. O meu, escorpião, começava dizendo que os escorpianos são uma verdadeira novela mexicana com muito sexo!
Amenizando a historia, diria que somos intensos. Mas isso caminha muito próximo do que dizia o email!
Dificilmente erro. Pra me aproximar de alguem? Difícil errar. Raramente erro nas amizades. É o abraço, o convívio, o papo, tudoissojuntoemaisumpouco! Não é falsa simpatia nem estou me “achando”. Depois de 15 minutos de conversa tenho certeza de que ali vai sair uma amizade.
Acho que aprendi a cultivar pessoas queridas e sempre quero um canterinho novo nesse jardim. Outras flores, outros ramos, outras cores e odores. De longe, o todo se mostra uniforme e mesmo assim cada planta tem sua individualidade. E tudo isso faz parte de mim e representa muito do que sou.
Como um brinquedo novo que acabo de ganhar, não consigo parar de pensar, de querer cutucar, de estar junto dessa pessoa de alguma forma. Aí vem o tal do signo pra cagar!
Tem hora que viro a novela mexicana! Exagerado nos gestos e expressões! Muito sal, sabe? Eu mesmo me ligo peço desculpas e chamo uma pizza.
Por ser assim acabo confundindo. Muitos saem correndo!
Exagero meu! Mas se o Google fosse um amigo, hoje eu mandaria um sms: Cara, vc é foda! Adorei o Google maps novo. Bora tomar uma mais tarde?
Sou assim, fazer o que?
Me seguro, mas tenho certeza que muita gente já pensou:
Pó, que cara chato!



O sexo?
Gosto sim! Quem não gosta?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"Não quero nada sério agora"

Caiu na testa! Queimei a língua! Admito que o que critico é bem parecido comigo! Ai ai ai!
Semana passada estava numa conversa de bar dizendo que nos últimos tempos as frases “Não quero nada com ninguém’, ou, “ Quero ficar um tempo sozinho”, ou, “ Não estou afim de relacionamentos agora” , andam se repetindo em todas as esferas da sociedade. E a questão na mesa era se é por conta da idade ou se existe um inconsciente coletivo onde a individualidade impera.
Pela idade, por conta de todo mundo que convivo estar na faixa dos 30. Nesta idade aquele romance de adolescente já é quase um sonho, que nem pareceu existir de verdade. O namoro duradouro dos 20 e poucos já teve “ remembers” suficientes e o ultimo relacionamento deixou algumas feridas que ninguém quer repeti-las. Aí, antes de se meter num relacionamento de novo, o que dá uma preguiça doida só de pensar em conhecer uma família, sobrinhos, pai , mãe, avó, almoços, churrascos..., cansa de pensar(!), antes de começar tudo isso de novo melhor ficar na nossa. Só curtir.
Pelo inconsciente coletivo é mais filosófico e se você tiver uma cervejinha na geladeira abra que você vai entrar no mesmo clima da conversa, rsrs. Vivemos online agora. A maioria sente necessidade de se conectar pelo menos uma vez por dia Tudo começou com o efeito zap, que é ficar mudando de canal com o controle remoto. Existem estudos que uma criança presta atenção em sala de aula durante 8, 10 minutos depois se distrai por uns 5 minutos e volta a prestar atenção. Por quê? O tempo que dura cada bloco de televisão é de 8 a 10 mim! Coisa de doido. Bom, esse efeito se transferiu pra net. Não esta legal o site, o blog, o vídeo, qualquer coisas, não ta legal é só clicar num novo link, digitar um novo site. Imediatamente um novo mundo se abre. Esse efeito pode estar sendo transferido agora para o sentimental. Pra nossa essência, pra nosso intimo. Aí, o mesmo imediatismo se aplica ao carinha que vc esta ficando, não ta legal, tchau! Um novo link aparece logo! A gatinha esta muito manhosa? Encheu o saco? Ciao , vou me conectar em outro site. E por ai vai.
Bom, no furor dessa conversa disse que queria andar na contra mão dessa onda. Que se fosse pra me apaixonar iria fundo, que esse imediatismo vai deixar um país de velhos em breve! Disse que não se trata de me apaixonar pela primeira que vier. Mas que a gente se policia muito e não faz o que tem vontade mesmo. Seja mandar um sms, um email, ou ligar, marcar um cinema, um sorvete na praça, o qualquer coisa que nos pareça ridícula! O flerte é um tanto ridículo! Pelo menos a gente se sente às vezes. Enfim, que se acontecesse eu não iria vir com esse tipo de papo “ agora não”.
Pois num é que mordi a língua!
Sem querer, sem nada acontecer, mesmo antes de acontecer já deixei claro que não to afim. Bati a porta na cara mesmo! Diferente de uma menina que tenha maiores afinidades e que a convivência me dê uma certa esperança ( ou não) de alguma coisa acontecer, essa era uma menina que conheci na balada, que poderia sim rolar alguma coisa mais forte, mais séria, mas que por algum motivo inexplicável eu tesourei de cara.
Seria os 30 anos ou a idéia de que ninguém quer nada serio?
Fiquei pensando nisso e acho que como já havia dito anteriormente, no post “ Tempo do Amor” , o timming de um amor, de uma paixão , ou de qualquer coisa que não seja só ficar, é outro completamente diferente desse frenesi virtual, dessa pressa do novo, das inúmeras possibilidades que imaginamos. A coisa acontece bem mais lenta. Leva tempo. Particularmente, quero conhecer com calma. Saber o que ela gosta, o que detesta, o que faz a garota sorrir o que faz chorar. Enfim, conhecer aos pouco até sentir de fato alguma coisa. Uma mina de balada é muito fácil dizer não quero nada, não sinto nada.
Bom, reformulando meu discurso então: Não quero nada sério enquanto não sentir que de fato gosto de alguém. E se sentir vou dizer sem culpa.

Mas ainda acho que esse lance de “ não quero nada agora’ é um pouco boicote e em breve quem diz isso também acabará mordendo a língua!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Festa da Democracia

Coisa feia! Esse mês postei muito pouco aqui. Tudo bem, foi por boas causas.
Semana que vem é a “festa da democracia” nacional, como dizem. Pra muita gente é uma verdadeira festa mesmo, com boca livre e tudo! Mas de crítica aos políticos todo mundo está de saco cheio e cansado de receber por email a lista “dos ficha suja”, dos candidatos medíocres, engraçados e afins.
O lance é que fiz uma declaração outro dia que rendeu muita discussão. Disse que vou votar na Marina por ser a candidata que mais se encaixa com que penso, mas pra muitas pessoas vou dizer que votei no Serra. Maldita hora que abri a boca!
Os vermelhos me disseram que virei pelego, e os azuis que se não quero a Dilma não deveria votar na Marina. Faltaram os verdes me dizendo pra assumir de vez o voto!

A Mariana me convenceu durante uma serie de entrevistas que o Jornal da Globo fez. Durante uma semana os candidatos tiveram o mesmo tempo pra responder as perguntas e ela mandou muito bem.

Eu tenho uma visão um tanto romântica quanto a política, governo e governantes. Todas as causas, partidos, movimentos, etc., me parecem lutar por suas idéias, objetivos e interesses individuais. Repito, todas. Pra mim um governo deve ser dirigido para o bem coletivo. O bem de todos. De que me adianta conseguir uma linha de credito no banco se vou ser assaltado na primeira esquina porque alguém não teve a mesma sorte do que eu na vida? De que adianta votar numa pessoa que, pra mim vai ser interessante e pro resto do país não.
Vivemos num território continental onde o coletivo há muito foi esquecido. Em determinado momento foi perguntado para a Marina sobre o Acre. Alguém sabe onde fica o Acre? Alguém já foi pra lá? Pra mim sempre foi um lugar que imagino não ter nada alem de terra e índio! A Marina foi duramente criticada sobre seu governo no Acre. Disseram que os números sobre educação, segurança, saneamento básico, eram lamentáveis. Mas como estava isso antes? Antes era só terra e índio! Imagino eu. E os indicies de lá do Acre se comparados com alguns daqui do Sudeste se igualavam. É muito fácil apontar pra onde o Brasil quase nem é Brasil. E pra mim, o Brasil todo tem que ser como o sul e sudeste. Ter no mínimo a mesma infra estrutura.
Quando saí do país que percebi o quanto a gente é atrasado pra algumas coisas básicas. Transporte decente, por exemplo: Aqui você encontra um toco de concreto amarelo no meio da calçada e aquilo é o ponto de ônibus. Horário? Banco pra descansar? Cobertura? Tudo luxo. E ainda tem que rezar pra um ônibus passar. Outro exemplo, lixeiro: Aqui tem 3 peões que se arriscam correndo atrás de um caminhão, jogando sacos que nem Deus sabe o que tem dentro. Tem lugar lá fora, deu no Fantástico, que tem sistema de coleta a vácuo! Você abre um compartimento e o saco é sugado direto pra estação de tratamento por um sistema de canos subterrâneos. Coisa de louco!
Já escutei comentários também, que nenhum gasto com o bem estar coletivo deve ser visto como gasto. No mínimo investimento.
Pois bem, a Marina tem a mesma idéia. Acredita na educação como meio revolucionário, no desenvolvimento sustentável e mais um monte de coisas que batem com que acredito. Num primeiro turno, quero ter a liberdade de votar em quem acredito que vá lutar pelo bem do coletivo. Não quero votar no meu umbigo e continuar na mesma nóia.
Mas pra algumas pessoas vou falar que voto no Serra. Seria demais pra elas pensarem tão socialmente assim. Principalmente se tratando de empresários e pessoas voltadas ao financeiro pesado. Pra essas, a Dilma continuará com essa política de bolsas disso e daquilo, o que gera uma corja de vagabundos sustentados pelo governo. E o pior, fazendo filhos!
Se fosse pensar no meu, votaria no Serra mesmo. Sou empresário, tenho muita divida no banco, quero mais que a economia vá pra frente mesmo. Não concordo com o PT que aí está. Mas penso no coletivo. Se estiver bom pro outro vai ficar bom pra mim também. Todomundojuntomisturado!
Nesse primeiro turno não quero pensar no meu individualismo medíocre. Quero acreditar num país próspero mais que minha conta bancaria cheia.
Dividir para somar.

sábado, 25 de setembro de 2010

Opostos

E os opostos? Será que se atraem?
Até que ponto a diferença é suportável?
Escutei uma historia que alguém escutou de uma senhora de idade pré histórica muito sábia: precisa ser diferente, o igual cansa.
E diz que o ensinamento da velha era longo. Dentre as falas ela afirma que é importante admirar o diferente. Ser ignorante e aprender sobre o assunto do outro é interessante.

Bom, pensando bem, se convivesse com alguém igual a mim brigaríamos o tempo todo.

Pensando em São Paulo, é impossível não ser plural. No interior, numa cidade de 30 mil habitantes, todo mundo “currrrrrte a mema coisa”, salvo uns 5 %. Dos 30 miR quantos saem na noite? Uns miR no máximo!
Na capitaR oce pode ir no Vila e se sentir no Texas. Pode ir ao Samba e conhecer os bambas, pode ir bater cabeça no roque, funk, jazz, rap, eletrônico... Na mesma proporção de variedades de baladas, temos as pessoas. Tão diferentes quanto.
Meu trabalho proporciona conhecer um numero muito grande de pessoas. De casal gay, personal, estudante e DJ à velhinhos, empregadas, solteirões, pensionistas... Uma galera!
Existe uma nóia coletiva onde todo mundo desconfia de todo mundo. Eu acho que todo mundo tem alguma coisa pra acrescentar. Eu sinto quando a pessoa não é do bem. Já fui assaltado e agredido sei bem o olhar de alguém mal intencionado.
Não aprender com essa variedade cultural é burrice. Viver nas “tribos” como se fosse a verdade absoluta é muito pequeno e estúpido. Acaba sendo estúpido, na verdade. As tribos se agridem. Muitas vezes fisicamente.
Acredito na diferença ser um fator que une desde que ambos estejam dispostos a conhecer o mundo um do outro.
Agregar, dividir para somar, compartilhar, reunir, renovar.
Se ambos se interessarem pelos assuntos até então ignorados e descobrirem porque o outro gosta tanto, é o melhor caminho pra se ter uma convivência duradoura, pacifica e promissora.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Partido

Blah!

Preciso vomitar.
Vomitar um sentimento que fui obrigado engolir como quem apanha e não pode chorar.
Como quem abafa a explosão de uma granada com o próprio peito. E agora, esse bolo que fica entalado entre o coração e a garganta precisa sair.
É duro descobrir que quanto mais adolescente você se sentir quando gosta de alguém, mais próximo pode estar de um amor que não existe. Bom, pelo menos não dá para acreditar que do outro lado a infantilidade seja a mesma.
Acreditar naquele amor que tivemos no começo de nossas vidas e deixar toda experiência de lado é tão doloroso quanto fim do primeiro amor. Pois na época pensávamos ser para sempre, imaginávamos envelhecer juntos. Um gigantesco mundo imaginário que se desfaz como bolha de sabão. Puf!
Dessa vez não foi assim. Não construi uma paraíso imagético. Não deixei de escutar meu coração, de pensar na possibilidade de ser carência, de não dizer o que não fosse verdade. Fui educado, respeitoso, e me senti seguro para perder o chão. Pronto para me atirar em um mundo novo. Cagando de medo como aquele adolescente, mas com toda a segurança de uma vida! Puf!
Como uma bolha de sabão, levei uma alfinetada e sumi.
Não importa tentar achar meus possíveis erros e falhas, nem me perguntar se deveria ou não jogar o velho “jogo da sedução”. Sei que agi da melhor maneira possível. Da mais pura e despretensiosa. Curti demais o sentimento dentro de mim e fiquei feliz descobrindo que sim, um dia vou amar de novo! As perguntas que estão na minha cabeça são outras.
Será que o mundo vive uma introspecção conjunta? Será que todos querem ficar calados, fechados e sozinhos? Viva o “me deixe em paz”?
Dizem que daqui pouco tempo o Brasil será um país de velhos. Ninguém tem mais “coragem” de ter filhos! Exageros a parte, podemos ser vítimas da nossa liberdade. Acreditar na possibilidade de encontrar o grande amor na próxima esquina como quem descobre um site irado pra baixar musica. Corremos sim esse risco de ficar sozinhos e sofremos aos domingos. Não? Nunca? Bom pra você! Eu não sou um depressivo mal humorado solitário, mas alguns desses domingos sinto falta do aconchego, assumo.
E nessas horas pensamos se um dia vamos encontrar um grande amor, viver uma grande historia, dizer que amamos de boca cheia.
Até lá vamos vivendo as desilusões, os fins, os não-começos! Perigando tornamos tão frios quanto um boneco inflável.
Volto a pensar que ninguém merece meu sentimento, que agora ficará guardado como sempre esteve. Esperando alguém com coragem suficiente.
Só a Mulher-Mavilha! Rsrsr!
Blah! Pronto. Vomitei. Alguém tem uma bala de menta?

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Então, ele disse não

Então, ele disse não.
Não iria desejar o corpo, não mais sonharia com possibilidades.
Não estava pronto, não se sentia preparado.
Não era a hora certa, era dia errado.
Não diria palavras confortantes.
Não seria mais amante.
Não queria, não sabia.
Então, ele disse não.
Não passaria noites em claro.
Não se embriagaria no meio da semana.
Não dormiria na mesma cama.
Não deixaria recados, não tocaria a campainha.
Não cometeria outros pecados, não seria namorado.
Não queria, não sabia.
Então, ele disse não.
Então ele repetiu:
Não, não, não, não, não...
Até se convencer.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Educação

Pra mim, o maior de todos os problemas do Brasil é a educação. A ignorância é tanta que a coroamos com o chamado “jeitinho brasileiro” de ser. Cometemos infrações diariamente e sentimos um prazer egoísta com isso.
Estava vindo para São Paulo via Bandeirantes, considerada a melhor rodovia do país, numa noite movimentada de segunda-feira. O limite de velocidade nessa rodovia é de 120 km/h. Para termos uma habilitação é preciso passar por exames teóricos e práticos e todo motorista, sem exceção, sabe que acima de 120 km/h é infração grave. Para fiscalizar foram instalados radares que ficam escondidos atrás de viadutos e placas.
Tudo daria certo e todos teriam mais chance de chegar vivos ao destino se essas regras fossem respeitadas. Questão de educação. Sabendo onde ficam os pontos de radares muitos motoristas aproveitam para pisar no acelerador. É regra, aprendemos que a pista da esquerda é para veículos mais rápidos. Mas isso não nos dá o direito de ficarmos colados na traseira de outro carro, dando farol alto, e obrigando-o a sair de nossa frente como se ali fosse uma pista de corrida ou que fosse de exclusividade nossa. O incrível que essa é a regra. Acostumamos-nos a sair da frente quando mesmo acima da velocidade permitida, quando outro motorista nos cega com um farol alto e gruda atrás de nós, devemos tentar manter a calma e mudar de pista. No meu caso inclusive, não se tratava de uma pista vazia, pelo contrário, estava cheia e lenta devido a obras. Quando se trata de uma viatura, usam-se faróis diferentes, giroflex, piscas, e quando é uma emergência particular também ligamos as luzes piscantes, buzinamos. Fora esses casos, nenhuma pressa justifica nossa vaidade de querermos ultrapassar todo mundo, acelerar nosso possante e que o mundo saia da nossa frente. Não é assim, não aprendemos isso na auto-escola, mas é assim que funciona. Falta de educação.
Pra começar, a educação de casa. Essa coisa irracional que vivemos hoje começou lá trás. O exemplo que tivemos. Ou a falta dele. Birra de criança mimada se reflete em comportamentos infantis e egoístas no adulto. O “não” é inaceitável e o “meu” idolatrado. Já vi muita criança mandando a mãe calar a boca ( literalmente) e para minha surpresa , não ser nem repreendida por isso. Ora, se perdemos o respeito até com a própria mãe não vai ser uma plaquinha de transito que vai nos limitar. A educação informal é de responsabilidade da escola agora. Pagamos caro para que nossos filhos tenham uma boa educação e achamos um absurdo eles não se comportarem direito à mesa! Papéis totalmente invertidos.
Isso é só um pequeno exemplo de como nos acostumamos com ignorância. Como se tornou comum não respeitar, não só as leis, mas o próximo. O senso de civilidade perdeu-se em algum lugar. É preciso retomar as rédeas da educação dos nossos filhos, ter maior responsabilidade para procriar; Educarmo-nos para poder educar, assumir a culpa de termos um país corrupto e que não se preocupa de fato com o bem estar de uma nação. Precisamos ser mais ativos na sociedade e amá-la, fazer parte.
Já reverenciei o “jeitinho Brasileiro”. Hoje quero ter orgulho de dizer que sou Brasileiro, mas não acredito que vá dizer isso com plena satisfação nessa vida.

sábado, 24 de julho de 2010

Ciúmes virtual

Conheço a história de um casal recém casado que tiveram uma briga feia logo no começo. Diz que a noiva estava arrumando o armário novinho do quarto novinho da casa novíssima. Esperaram a casa ficar pronta antes de marcar a data de casamento.
Grande parte da mobília foi dada pelos padrinhos e parentes mais próximos. Tudo cheirava embalagem nova, tinta fresca e a rotina ainda não estava totalmente formada.
Ela foi colocar o edredom king size no maleiro e achou uma velha caixa de sapatos fechada com fita crepe quase sem cola. Não era dela e só poderia ser do marido. Pensou em não abrir, mas o que seria aquilo no maleiro? Porque teria guardado ali? A fita não lacrava muito e a moça achou que não teria problema verificar o conteúdo da caixa. Antes estivesse bem lacrada. Eram cartas, fotos e recadinhos de antigas namoradas. As fotos amareladas com declarações no verso doeram mais.
Tiveram uma discussão e o argumento usado pelo noivo foi simples: Mesmo queimando tudo aquilo as lembranças sempre existiriam. Dentro da caixa guardava lembranças e não os sentimentos que um dia teve por aquelas pessoas. Depois de um tempo ela entendeu.
Tem um caso que é meio corriqueiro. A mulher encontrar o cara com umas playboys babando em mulheres inatingíveis. Não que a mulher pense que seu homem vá correr atrás delas e/ou ter alguma coisa com elas, mas ela se compara. E fica insegura pensando não ter todos os atributos necessários para agradá-lo.
Nos tempos de hoje temos o MSN causando discórdia! Mas diferentes das antigas revistas ou de uma caixa de lembranças, pelo MSN a mulher responde! A insegurança é muito maior e dessa vez com razão. Nenhum homem imagina sua mulher conversando com um monte de carinhas, mas a maioria deles tem sua listinha de paquerinhas virtuais, que não dá em nada na maioria das vezes, mas estão presentes na imaginação deles e isso assombra qualquer boa relação. Sabemos disso. O Homem gosta da conquista e virtualmente ele se expõem menos. Ou pensa que assim o faz! Discreto é uma coisa difícil do homem ser!
Para evitar maiores problemas, fica a dica: preste atenção na mulher que está do seu lado na vida real para não acabar na mão. Literalmente!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Biocombústivel

Depois de 43 anos de estudo e dedicação, a formula finalmente ficou pronta. Reciclando o próprio lixo e acrescentando alguns produtos de fácil aquisição, Geraldo Azevedo, técnico supervisor do Instituto Tecnológico de Bicombustíveis, desenvolveu o álcool caseiro.
O teste foi feito com um motor simples montado numa bancada. Azevedo entrou na sala de testes com um vidro cheio de um liquido translúcido, mas não totalmente transparente como o álcool. Despejou o liquido no pequeno tanque do motor, bombeou um pouco uma manivela e deu partida. Funcionou perfeitamente.
Trata-se de um composto extraído do lixo decantado e que não agride, em tese, o meio ambiente.

Quando li a noticia não acreditei. Acreditei menos ainda quando ao ligar a TV logo de manhã, a Ana Márcia estava com o tal Azevedo pronto para passar a receita do álcool caseiro.
O programa tem um papagaio que comenta tudo e dizia que o “álcool caseiro era igualzinho que a dona de casa encontra no posto”.
Todos vestiam jaleco branco, luvas e óculos protetores. Azevedo começa explicando que a pessoa deve separar o lixo orgânico do reciclável e todo esse lixo orgânico vai pra dentro de um tanque, que em casa pode ser feito com uma caixa d’água. Depois de cheio, esse tanque fica tampado por três meses. É feito um amassamento daquela pasta fedorenta como se fosse uva virando vinho. A Ana Márcia vestiu umas botas que iam até a cintura e se meteu naquele tanque de lixo junto com o cientista maluco, e começou a sapatear. Lamentável, diga-se de passagem. Por uma torneira escorria o resultado.

Depois do intervalo todos estavam no estúdio com um vidro cheio daquele liquido estranho. Colocaram numa máquina destiladora feita com escorredor de macarrão e filtro de papel. Depois colocaram alguns produtos que não me lembro bem, diziam “temperar” a mistura. Algo como hidróxido de sódio, dióxido de hidrogênio, eu estava muito atordoado com tudo aquilo. Sei que depois, a coisa toda foi para uma centrifuga dessas de secar salada. O Azevedo aparentava nervosismo e dizia que “esse processo é o segredo, são varias voltas rápidas por trinta minutos”. A Ana do lado dele explicou que já haviam feito antes, pra ver se dava certo, vários litros que estavam bem ali do lado.
_Então Geraldo, só pra dona de casa entender o processo da centrifuga – E lá foi Ana botar a mão onde não devia- A gente coloca o liquido temperado nos copinhos, olhas só, mostra aqui câmera, ele colocou esses copos de requeijão um do ladinho do outro aqui dentro, ó. Aí a gente enche os copinhos... Ele calculou gente, um litro por vez. Tampa assim, cuidado viu gente. Começa de vagarinho e gira, gira, gira, gira e solta. É assim Azevedo?
_Isso Ana, quando você solta a centrifuga ainda fica girando você vê? Antes de ela parar completamente você volta a girar com força.
_Vamos lá então: gira, gira, gira...
Explodiu!
Imediatamente entrou o símbolo da emissora e por 3 horas nada aconteceu.
Foi a maior audiência registrada no planeta. Praticamente todo televisor ligado no Brasil estava com o tal símbolo. Todos esperavam saber o que havia acontecido. As outras emissoras mandaram as equipes de reportagens. Não se falava de outra coisa. Tive que ir trabalhar e acabei esquecendo a coisa toda, afinal era só um programa de culinária.
Hoje, quando liguei a TV estava passando desenho.
_Já era a Ana- pensei- pela primeira vez o programa de culinária fritou a apresentadora!
“Bora”, trabalhar.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Amizade Colorida

_Amizade colorida? Isso eu falava no tempo de escola. No tempo que ainda era primário, ginásio e Colegial!
_Mas ela é minha amiga, só que a gente fica.
_Então são ficantes, oras!
_Não. Ficante é quando fica com uma mina na balada e fica ficando. A Manu eu conheço desde uns 2 anos de idade. A gente ficou quando eu briguei com a Gabi. Era consolo de amiga. A gente se beijou de língua, mas era amizade. Difícil de entender. Amizade Colorida.
_Mas toda amizade é colorida. A vida é muito monocromática sem amizade. Não existe amizade em cinza. Cada amigo pode ter uma cor especifica, mas quando unidas, misturadas, duas pessoas de cores diferentes tornam a vida colorida. Hoje, é pejorativo dizer que uma amizade é colorida porque se leva tudo “por trás”, mas amizade é multicolore!
_Salamé Míngüe! Eu não vou me casar, não vou ter filhos com a Manu.
_Será? Você já comeu que eu sei.
_Nada a ver! Não amo a Manu.
_Mas é pra ela que você corre. Já parou pra pensar como seria sua vida sem ela e se conseguiria continuar daqui pra frente sem ela?
_Ficantes nós não somos também. A gente se vê praticamente umas 3 vezes por ano. Quando a gente se vê acaba ficando, mas ela namora... eu também to enrolado aqui com a Karine, você sabe.
_Então é sacanagem pura!
_Não é não, porra! Você é muito otário! A gente é amigo. De verdade. Falo com ela todo dia. Sabemos tudo um do outro. Só que ela não mora aqui, fazer o que? Se morasse seria como você, tipo um brother.
_Éca, ta afim de me dar uns beijos também agora?
_Puta que pariu, véio, pára de zuar. É sério pô.
_Sério é você negar que o amor da sua vida é a Manu. Você fica de boa porque fala com ela todo dia, como você mesmo falou. Fica lá no MSN pagando de amiguinho querendo mesmo é catar a mina. Se liga bro! Quantas minas você já perdeu porque você ficava mais com a Manu na net que com as minas na cama? Ta perdendo tempo.
_Catso meu! Então o que ponho em “relacionamento”?
_Sei lá. Deixa sem nada. Porque você precisa dizer pra todo mundo do Facebook que você tem um relacionamento?
_Pra Manu não achar que estou mal e...
_Manu, Manu, Manu, pára meu! Desencana. Ou encana de vez. Ficar nessa onda aí eu não tenho saco não. Agora bóra pra balada que as minas estão esperando.
_Vamo ae.

Logout.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Olho no dedo.

Quando abri os olhos de manhã senti um choque no interior do cérebro. Provavelmente foi a conexão que tive que fazer para entender que agora meu olho esquerdo estava na ponta do dedo indicador da mão esquerda. Foi difícil enxergar duas imagens ao mesmo tempo. Senti-me assistindo “24 Horas” e o mundo virou multi-tela! De um lado eu via o lustre sem a tampa de vidro no teto do quarto, do outro a ponta do meu dedão do pé descoberto.
Ergui a mão e o movimento me deu náusea. Fechei o olho direito. A visão era meio tremula. Fechei o olho do dedo e abri meu olho direito. Estava tremendo. Fechei todos os olhos até que tudo ficasse escuro. Seria um sonho? Abri o olho esquerdo e vi meu queixo. Estava com as mãos sobre o peito sentindo meu coração acelerado. Respirei fundo e apontei meu dedo. Interessante. Parece um filme, câmera subjetiva. Como se fosse steadicam.
Posicionei o braço de maneira confortável e lentamente fui girando o pulso até olhar pra meu rosto. Vi meus olhos fechados. Abri o direito lentamente e o esquerdo movia-se exatamente do mesmo jeito. Quando abri meu olho direito o esquerdo também se abriu. Porem a imagem que meu cérebro codificava era do olho na ponta do meu indicador. Meu olho esquerdo da face era apenas uma cópia do direito.
Aproximei meu dedo do olho esquerdo. Vi meu olho. Aproximei meu dedo do olho direito. Vi minha alma!
Era como colocar dois espelhos frente a frente e ver a imagem multiplicar-se infinitamente, mas o resultado dessa multiplicação era eu mesmo. Eu e as minhas infinitas possibilidades. Fiquei encantado e me perguntei se Narciso sentia o mesmo ao contemplar-se.
Abri a boca. Coloquei o dedo dentro, mas estava escuro. Quando acendi a luz do banheiro e me olhei no espelho me senti vendo uma foto dessas de Orkut. Onde a pessoa segura o celular ou a câmera e tira uma foto de si. Só que era minha mão! Dei risada, era muito divertido.
Estava com os dentes sujos e a garganta querendo inflamar. Era ruim quando sem querer encostava meu olho em algum lugar molhado. Minha respiração atrapalhava um pouco também. Mas a sensação da saliva no meu olho do dedo era tão enervante quanto alguém cuspindo ou pingando um colírio. Muito chato.
Tomar banho também não foi nada fácil. Entrou espuma e ardeu. Era inevitável usar as mãos do mesmo jeito que sempre usei. Esquecia que estava com um olho no dedo. Quando peguei a toalha, raspei meu olho e ardeu muito.
Dirigir foi quase catastrófico! Não podia abrir o olho do dedo se não perdia o controle do carro. Foi bom quando parou o trânsito. Colocando a mão para fora do carro consegui ver bem mais à frente e desviar de alguns inconvenientes.
Eu tentei trabalhar, mas como digitar? Nem de olho fechado. Tentei segurar o dedo com um elástico, estava ficando ridículo. Inventei um mal estar e liguei para a Solange. Ela só trabalha depois das 18 horas nas segundas.
Quando cheguei a casa dela contei toda historia. Ela deu um grito quando abri meu olho do dedo e olhei para ela. Depois riu. Disse que era bonitinho. Imaginei milhões de coisas que poderia fazer com ela e meu dedo! Tantos novos lugares para explorar. Ela beijou meu olho segurando minha mão. Sugeriu que abrisse um vinho enquanto tirava o almoço do forno.
Quando fui abrir o armário a chavinha caiu e foi parar debaixo do sofá. Foi fácil achá-la usando meu olho do dedo. Peguei o vinho com a mão direita. O lacre de metal atrapalhou e quando fui usar o saca-rolha acabei furando meu olho do dedo. Embrulhei o dedo todo num guardanapo e corri pra cá.
Fizeram um curativo decente e pediram para aguardar.
Até pouco tempo atrás estava com uma vista no escuro. Agora estou enxergando normalmente.
_O que acha doutor?- perguntei enquanto ele abria o curativo.
_É uma piada, senhor?
_Não, não é. Deveria consultar um Oftalmo?
_Se tiver um olho na ponta do seu dedo você deveria consultar uma emissora de televisão. Como não é o caso, acho que o senhor deveria consultar um psiquiatra.- Disse cortando o ultimo esparadrapo.
Fiz cara de susto quando vi meu dedo normal novamente.
_Teremos que dar uns pontinhos aqui. – Disse o doutor – O senhor é ator? Quase acreditei na sua estória.
_Sou escritor - Respondi mentindo minha real profissão - _ Minha visão escorre pelas pontas dos meus dedos!
“Piadinha infame”- pensei- “Baseada em fatos reais”!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Mulher Jibóia

Nove meses e meio e nada. Estava com a barriga explodindo e nem sinal da criança.
Samuel indagou-se do possível problema, mas Bárbara nunca apresentou nenhum. Na verdade nunca esteve melhor. Inclusive na intimidade.
Quando chegaram aos dez meses de gestação conversaram e decidiram deixar a vontade de Deus acontecer. A barriga crescia naturalmente e o máximo que poderia acontecer era a criança nascer criada! Eles gargalhavam com a piada deitados nus, felizes.
Samuel surpreendeu-se descobrindo que sua atração por Bárbara crescia tanto quanto.
Bárbara preenchia a cama toda quando chegaram aos quinze meses. Samuel já não podia dar prazer como sempre deu. Era incrível como meio braço cabia dentro dela e ainda assim a cabeça do bebê parecia distante.
Resolveram desmontar a cama e o armário e forrar o chão com colchões. Bárbara ocupava praticamente meio quarto quando chegaram ao vigésimo terceiro mês. Samuel conseguia introduzir uma perna até pouco acima do joelho em Bárbara. Era preciso colocar um travesseiro na boca dela quando se amavam, pois o prazer era tanto que os gritos eram inevitáveis. Ela sempre pediu e sempre comandou. Dizia que sentia o quanto Samuel deveria entrar.
No dia em que a gestação completou dois anos, Bárbara pediu que entrasse com a cabeça. Um desejo que Samuel escondeu e que de escutar, ejaculou. Tomou banho raspou os pelos do corpo, fez a barba e raspou o cabelo. Escalou a barriga macia de Bárbara, sentiu o teto do quarto frio quando o tocou com as costas antes de descer e atravessar as enormes mamas e finalmente encontrar o rosto de sua amada. Deu-lhe um beijo demorado e percorreu todo o caminho de volta.
Antes dele entrar, Bárbara disse amar Samuel.
Mal encostou a cabeça e foi sugado. Mergulhou em Bárbara e nunca mais saiu.
Sabe-se que depois de dois anos Bárbara voltou ao seu tamanho natural. Tentou voltar para a velha rotina, mas teve que mudar-se. Na pequena vila onde morava ficou conhecida como Mulher Jibóia.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Check-in

Tinha um armado, o carro foi cercado, acertaram o Luis e pegaram o Antonio.

Fiquei com duas sacolas.

_Primeira classe, só ída.
_Forma de pagamento, Senhro?
_Dinheiro. Ele está um pouco sujo, tudo bem?