sexta-feira, 19 de março de 2010

Troféu Jóinha

Há! Fiz esse ANIMATED GIF que pode ser emoticon se quiser. Presentinho inútil para o fim de semana! Boa!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Cheio

Se de nada são feitos, se de matéria são desprovidos
Se invisíveis e intocáveis são, como podem ser pesados?
E se forem leves, mesmo assim, não existem de fato.
Não podem ser fotografados, mas são retratados, são demonstrados
São por eternidade, em DNA talvez, registrados.

Podem ser quebrados e seus cacos podem ferir
Podem ser ilusórios seus reais sentidos
Podem ser falsos seus intuitos
Mas se sinceros forem, se de nada temerem
Concretos serão e mesmo assim não irão vê-los

Se de nada são feitos, se de matéria são desprovidos
Como posso ser tão cheio de sentimentos?

A.Tosello

quinta-feira, 11 de março de 2010

cotidiano nervoso



Andando pela Av. Paulista avisto coisas que nem Deus acredita.
Posto no alto de um cubo de concreto onde num dos lados o logotipo deixava claro ser da companhia de telefone, um morador de rua posava com pompa de modelo enquanto maquinas digitais e telefones celulares registravam o momento. 15 minutos de fama, pensei.
No quarteirão seguinte um dia de fúria de um cidadão. Chutou um saco de carvão pro meio da avenida em frente de um ônibus que freou, mas não pode desviar do saco. O pó preto se espalhou e o moço, que poderia ser um motoboy pelo tamanho da mochila nas costas, gritava enfurecido: Ninguém me ajuda! Eu to fodido! Ninguém me ajuda!
Esbravejava aos sete ventos com os punhos cerrados e com a ira nos olhos. Ninguém ajudou. Pra longe corremos enquanto víamos o segurança usando o gás de pimenta.
É o cotidiano nervoso e já quase surreal da megalópole paulistana.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Uma Semana

Depois de uma semana sem computador estou aqui novamente.
Um sobrevivente.
E não é que existe vida fora de um monitor?!
Gente, e é tão viva! Palpável. É concreta e cheia de nuances. Cheia de perigos e escolhas. Aventuras e dramas num filme cheio de ação!
A vida real é cheia de corações que pulsam fortes dentro de peitos de todos os tamanhos e intenções variadas. Um beijo aqui fora é mais doloroso que uma mudança de status para “namorando” e mais complicado dizer “quem sou” para alguém de verdade do que escrever uma frase de impacto num perfil qualquer.
A vida real tem outro tempo. Hoje, pós terremoto do Chile, um tempo com um milionésimo de segundo a menos para ser contado! Nem um piscar de olhos é tão rápido, mas esse milionésimo representa a devastação de um país ou a criação de outro. O nascimento de alguém e a morte de outro alguém. Num instante estamos sós, noutro cercados de solidão. Ou com o sentimento de estarmos realmente acompanhados. Instantes. Milionésimos de segundo que ditam o antes e o depois.
Antes de um computador ligado em uma rede mundial os vizinhos se conheciam. As pessoas estavam presentes. Depois de uma semana desconectado percebi que esse mundo ainda existe, mas anda esquecido. Antes, existia troca de olhares antes das trocas de email. Existia uma serie de outras coisas que não existem mais. E nos damos conta dessas mudanças num único instante. De uma vez. Num milionésimo de segundo! Num piscar de olhos.
A vida é formada desses pequenos instantes. Instantes que dominam o tempo e o espaço. Não existe “quando” nem “onde” quando pessoas de fato se encontram abertas umas para as outras. Quando um aperto de mãos acontece, quando um cumprimento matinal estampa um sorriso no rosto de alguém, quando um abraço sincero acontece. O tempo pára nesses instantes. Uma foto é registrada na retina e na memória. Tudo isso acontece na vida real.
Nosso HD parece estar cheio, precisando fazer um backup, mas na verdade está pela metade. Sempre estará. A vida real não tem limite de bits, megas, gigas, terabites e o que mais vier. É infinito! Não há tecnologia capaz de superar nossa capacidade!
Numa semana sem computador descobri o valor do telefone. Mais ainda, descobri o valor que ele tem para pessoas que realmente preocupam-se conosco. Muito fácil manter contato com pessoas que estão “online” e “disponíveis”. Amigos que ligam pra falar merda alguma, outros que simplesmente ligam porque sentem sua falta. Isso só acontece na vida real.
O gosto de uma lagrima é diferente quando as teclas de um teclado embaçam e quando a vemos no ombro de uma pessoa. Outro gosto ainda quando outros olhos se enchem de lagrimas ao ver as suas.
Tanta coisa acontece aqui fora. E só fiquei uma semana sem meu computador! Só uma semana? Há quanto tempo estou aqui? E o que isso importa? Não foi tempo perdido. Nem ganho. Foi outro tempo. Talvez uma eternidade...
Na vida real foi só mais uma semana...
... de tantas outras que estão por vir.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Lambuzado

Link interno urgente! Precisamos olhar para dentro, para nós mesmos e o mais rápido possível! Deixemos a felicidade conosco e não com o outro.
Enquanto uns tentam seguir a vida outros seguem a vida alheia. Será que sempre a grama do vizinho é mais bonita? Claro que não. O problema é que não levantamos a bunda do sofá, não afiamos o facão, o rastelo e a pá para cuidar do matagal que nos atrapalha a visão. O mato pode ser cortado e virar um lindo jardim. As ervas daninhas sempre voltam, mas as flores fortes resistem. Os frutos podem ser colhidos, mas cada um ao seu tempo.
Estamos pensando demais e sentindo de menos. Vi uma frase no MSN esses dias que a vida não deve ser comida de garfo e faca e sim devemos nos lambuzar! E é isso mesmo. Só se aprende andar de bicicleta caindo e mesmo assim é uma delicia. Depois do tombo dá medo, mas é aí que devemos ser fortes e dar as primeiras pedaladas de novo.
Bom seria se todos soubessem o que realmente sentem. Bom seria se todo coração palpitante fosse amor. Não o amor de novela das oito. Amor puro sem classificações. Bom seria se a simplicidade fosse religião, crença e prática! Sem ser fanatismo.
Porque hoje é tão difícil relacionar-se? Muita internet? Tudo muito virtual e imediato?
Tudo é link e saímos clicando em todos? Quem sabe?
O que falta realmente é paciência para conhecer os defeitos, as diferenças, os conflitos internos e do próximo. Quando a coisa fica muito densa logo clicamos em outro link. No fim nem se procurarmos no histórico iremos achar a pagina inicial de onde tudo começou.
Tudo começa com a gente. Nós somos os responsáveis pelo nosso caminho. Caminhamos com as próprias pernas e não com a do próximo.
É chegada a hora onde o solúvel não nos satisfaz. E para concretizar qualquer coisa é preciso olhar para nós mesmos, escutar o coração e lambuzarmo-nos!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O Desapego

Escutei recentemente de algumas amigas em estado de euforia após uma baladinha: “E viva o desapego!” – Viva! – a outra respondeu.
No contexto delas, toda essa alegria vem por conta de não estarem mais sofrendo com antigos relacionamentos. Esse foi o desapego delas.
Só ontem, pós- carnaval, outras 2 pessoas me falaram que encontraram um par ótimo no carnaval e que foi lindo e que agora estão se comunicando via MSN e tal, mas pra mim, depois do carnaval o desapego deveria ser uma pratica ainda mais constante.
Bom, com essas coisas na cabeça resolvi aprofundar-me no tema desapego.

Para alguns o desapego pode ser a total falta de atenção com alguém. Não ligamos se a pessoa telefona, se aparece, se responde se dá sinal de fumaça, sei lá, se a pessoa não está nem ai pra alguém ela esta desapegada. O apego é estar presente. Aproxima-se do pegar, do ter, do tocar. Apega-se a coisas e pessoas. Tenho um apego muito grande com minha bicicleta por exemplo. Se tivesse um gato ou cachorro teria apego por ele. Tenho apego a internet e esse velho PC. É diferente de amor. Diferente de paixão. Apegar-se é como se aquilo ou aquele(a) fosse parte de nós como o cobertor do Lino no Snoop, o coelhinho da Monica, o martelo do Thor.
Com pessoas, nos apegamos aos amigos principalmente. Nós escolhemos os amigos. Os mais queridos estao no MSN, no skype, no Orkut, no facebook, no celular... Queremos sempre por perto, procuramos sempre pra fazer as coisas mais legais.
O apego é fácil de ter e identificar. É fácil apegar-se.

O desapego, concentrando-me nos relacionamentos amorosos, talvez seja uma das coisas mais importantes de se cultivar. E mais difícil.
Aprendemos, como disse acima, que apegar-se é fácil. Pois bem, quando começamos um relacionamento a primeira coisa que acontece é apegarmo-nos. Sim, queremos a pessoa por perto, a queremos pra nós, queremos que fique aqui do lado. Porem não se trata do cobertor do Lino nem o martelo do Thor! E diferente de amigo onde mesmo distante ainda ficamos felizes de saber alguma novidade via email. Com nosso par perfeito queremos é estar grudados! Essa vontade louca um dia passa. Transforma-se em outra coisa.
As pessoas precisam de espaço. Precisam de distanciamento para respirar e sentir saudades. Precisam do desapego para se apegar mais. Eu pelo menos preciso. Acho que meu casamento só daria certo se a casa tivesse um canto meu onde ficasse por algum tempo sozinho. Preciso fazer minhas coisas, sejam lá o que forem. Meu tempo e meu espaço. Egoísta? Talvez. Mas acredito que todo mundo precisa de um pouco disso. Precisamos deixar as pessoas irem, nossos amores devem ser soltos. Um dia podem ir embora. Ou não. A melhor maneira de prender alguém é deixar a porta aberta. Acontece que existem muitas “Felícias” na vida que apertam o bichinho até esbugalhar os olhos!

Pensar no desapego como algum amor que passou é um engano. Esse alivio é de não ter mais apego algum, de não sentir mais nada, de sentir que passou. O desapego é cuidado, é regar a plantinha, é cultivar um sentimento que pode sufocar.
Pós-carnaval, pós- viagem de verão fica o sentimento de quero mais, de querermos que aquilo dure pra sempre. Nos apegamos fácil a uma paisagem linda, uma casa/ hotel mas é tudo um sonho. Logo voltaremos pra nossas vidas e apegar-se a esse sonho só vai nos trazer sofrimento.

Como gato: o bicho é solto. Quanto mais solto deixamos mais ele vai enroscar em nossas pernas.
O desapego é querer estar juntos, é amar, é paixão e saudade, mas sem deixar que nossas necessidades egoistas ofusquem o verdadeiro sentido da coisa.
Talvez o amor do carnaval dure, talvez o que teorizo vire apenas balela. Mas hoje acredito no desapego como algo que prende.
E viva o desapego!