terça-feira, 4 de agosto de 2009

Nostalgia

Recebi esse email de uma amiga laaaaa do interiorrrrr. Carrrrrol, dorrrrrei , fia!
Ja ta ficando batido essas fotos nostalgicas mas entre elas tem uma que mudou minha vida e por isso estou postando. Vamos a elas:


A de ferro era muito melhor. Desafio: fazer a mola descer a escadaria do Dom Bosco!



Febre da molecada na escola.


Nunca completei o albúm.



Deve ser o instrumento principal do Manu Chao


Para os mais novos, quando pergunto se caiu a ficha, é dessa ai que me refiro!

Tinha muito mais no email, quem quiser me pede que eu mando. Escolhi só algumas e essa em especial. Meu apelido era macaquinho. Vivia subindo em arvores pra caçar cigarra. Ai apareceu esse macaco ai! Mudou minha vida! Meu apelido até hoje.

Papo de amigo.

Então...
Olha só que coisa:

Um amigo me chamou para conversar. Quando um amigo faz isso, ou é pra chorar as pitangas ou é encrenca! Primeira opção.
Ele é casado já faz uma cota, ama a esposa, tem emprego fixo, carro zero, casa bacana, os negócios vão bem, obrigado, e mesmo assim existe um “mas”. Que vou chamar aqui de... Neide, não... éééé... Maria? Não também.... Joana. Pronto. O “mas” do meu amigo se chama Joana. Marcos e Joana. Marcos também é nome fictício.

“Murfy, tá foda veio! Sai com a Joana outro dia”
Da facu? – perguntei já sabendo que se fosse a história seria longa:
_ É meu, você acredita? Me ligou semana passada, disse que estava vindo pra cá junto com uma amiga, que a amiga ia ficar o dia todo em reunião e não tinha o que fazer.
_ Ai caralho! – comentei esperando o tamanho da bomba.
_ Foda... que se eu estivesse livre, pra gente se ver, tomar um café.

Corta.
Flashback

Faculdade, 2001, Marcos e eu sentávamos no fundo da sala, um de cada lado da Joana. Trio parada dura!
Joana se apaixona por Marcos. Marcos fica com Joana. Depois de alguns meses Marcos desencana. Mais alguns meses eu fiquei com ela. Somos amigos até hoje, mas só amizade mesmo. Só que confidentes. Ela sempre me falou do Marcos e foi perdidamente apaixonada por ele.
Era uma relação “Chicoriana”: Pedro amava Dora, que amava Leia, que amava Paulo que amava sei lá quem e por ai vai. Semanas antes da formatura Marcos fica com Ana com quem veio a se casar 4 anos depois.

Corta
Fim do flashback

_ E ai?
_Ai ela me ligou. A Ana trabalha que nem uma loca e chega em casa lá pelas 11 da noite. Naquela semana eu estava bem tranqüilo... ai fui. Mas fui na boa, ta ligado né Murfy? A Ana é super massa, curto ela pra kct.
_To ligado.
_ A gente foi no boteco ali na Afonso Bovero que eu fui com você, lembra? – Lembrava, fuleiro, barulhento, nada romântico – E você não acredita como a Joana esta diferente.
_ Diferente como?
_Diferente. Não é a Joaninha. É a JO-ANA. Mulher. Madura. Inteligente.
_Po! Mas também né Marcola? Mais de 10 anos!
_ Eu sei Murfy, mas o problema não é esse. É que você acredita que ela ainda gosta de mim? Me olha do mesmo jeito. E uma mulher daquela meu querido, balançou o menino!
_Puts meu. Comeu?
_Naaaaa. Só foi papo só.
_Nem um beijinho?
_Nada, só abraços e mãos dadas. E não sei Murfy. Ela gosta de mim desde sempre e eu gostava dela, mas faltava alguma coisa. Agora não falta mais! ( risos )

Comecei a pensar em várias coisas. Inclusive no texto de ontem que escrevi. O que me fez perguntar:
_ Marcão, o que você sente pela Ana?
_ Pela Ana?
(silencio)

_meu...
(mais silencio)

_não sei nem te dizer o quanto eu amo a Ana. Não consigo me ver sem ela. To até querendo ter um filho.
_Caralho! Pra quem não podia ver criança! Bicho... Se liga: Até um tempo atrás estava cheio de duvidas buscando exatamente essa sua certeza. A Ana é mó gata, vocês 2 juntos estão juntando uma puta grana, você a ama como nunca amou ninguém, vai deixar seu pinto falar mais alto?

_Não parou por ai. Ela me escreveu semana passada. Deixa te mostrar.

Fomos até o escritórinho, entramos no email e li.

Lindo email. Paguei mó pau! A Joana se declarou. Disse coisas que mostram o quanto ela o amava. E ama! Abriu o coração. Explodiu todos os sentimentos que estavam guardados. E o mais doido: disse que não se sentia “a biscate que não sente frio” dando em cima de homens casados e nem que queria que ele deixasse a Ana pra ficar com ela, mas que não agüentava mais. Terminou dizendo que jamais esqueceria a historia que viveram e que o amor nunca morreria.

Quase chorei. Engoli duro e disse:

_ Na boa... você vai responder?
_Não sei ainda
_Responda! Seja o mais sincero possível. Não omita nada. Diga o que sente. Mesmo que ela não responda de volta, tenho certeza que ela vai se sentir feliz. Aliviada também.
_Como você sabe?
_Longa história, Marcão. Um dia eu conto. Mas vai por mim. Mesmo porque, só assim pra você desencanar. E ela também.

Fim de papo.

Incrível como a vida nos ensina. E como as histórias se repetem.
Estou abrindo o casulo e minhas asas estão começando a sentir o ar fresco.
As coisas estão cada vez mais claras. Hoje me senti pleno. Feliz pelos amigos que amam, pelas amigas que erram “sem querer (querendo)”, pela sabedoria que adquiro estando perto deles. Feliz por sentir o coração cheio e a mente vazia.
Queridões e queridonas, amo todos vocês!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Explodi!

Sophie Calle & Gregoire Bouillier

Sophie Calle & Gregoire Bouillier

http://gnt.globo.com/EstarBem/Materias/No-Saia-Justa--Marcia-Tiburi-reflete-sobre-um-frio-fim-de-namoro.html

Fim de semana assisti Saia Justa na GNT. Qualquer dia desses escrevo meu fascínio pelo universo feminino. Tenho amigas que não podem nem ouvir falar nisso e são o meu oposto: têm um monte de amigos. Eu procuro entender e ser um homem melhor. Tento não ser o mesmo que todo mundo. Fui criado por mulheres: Empregadas, professoras, patroas, mãe. E sempre escutei as histórias de cada uma delas e registrei no HD, “becapiei” e muito do que acho que sei sobre o assunto está no desktop! Sempre a mão.
Acontece que em um dos quadros analisaram emails enviados por namorados, sob a ótica da Sophie Calle, ou melhor, prestando atenção no além do email, imaginando como o cara que escreveu se comportou e que fim realmente gostaria de atingir. Decupando as palavras cuidadosamente escolhidas para tentar mostrar uma masculinidade inútil, e caindo na comédia e na cafonice. Estava rindo muito até que um dos emails lidos resultou num comentário da minha ex-namorada: “_ Alá! Esse ai é igual você, Murfy”. Continuei rindo dos próximos que vieram, mas fiquei com o tema na cabeça.
No email lido no programa, o carinha ao mesmo tempo em que dizia que amava que era a mulher da vida dele, dizia que eram amigos, eternos amigos. Ao mesmo tem em que se comprometia, tira “o dele” da reta. E é esse o comparativo comigo. A falta de sinceridade no jogo da sedução masculina é uma merda. Aliás, todo nosso relacionamento deveria ser mais sincero. Mais direto. De ambos os lados. Concentrando-me mais no masculino nesse texto, vejo que somos muito sentimentais e carentes quando estamos sozinhos e queremos alguém por perto. Derretemo-nos em ligações e email carregados de sentimentos fluídos, ralos, solúveis. Carregados de palavras de fundo falso. De segundas intenções. Dizemos que amamos porque aprendemos que a mulher não vai pra cama sem sentimento. Que não conseguiríamos sexo se simplesmente disséssemos: “Meu, na boa, to morrendo de tesão, vamos transar?”. Não rola. Temos as “fuckfriends” que são um capitulo a parte, mas essas querem sexo tanto quanto e geralmente nem pensamos em namoro.
No imaginário machista, como naquela propaganda do “Pague 1 leve 30”, queremos pedir uma em namoro e levar mais 30. Todas gatas e que nos esperem de pernas abertas. Digam que nos amem e façam cafuné até a gente pegar no sono. E para chegar nesse objetivo tentamos de maneira desastrosa conquistar o mundo com emails ridículos.
Imaginando que não podemos dizer pra gatinha que estamos de pinto duro e queremos mostrar pra ela nosso vigor, dizemos então que algo mudou dentro de nós. Que depois daquela noite ela não sai de nossas cabeças. ( Não mesmo! Todo dia no banheiro!) Que adoraria sair com a menina de novo ( pra ver se dessa vez a gente come ) que a gente poderia se ver esse fim de semana e tal. Do outro lado, a menina desconfia, mas como ela também gostou , aceita o convite e fim de semana, o Casal se vê e, como diria a menina que vi no Fantástico ontem, vão parar no “M luminoso”. ( use a imaginação que você entende )
Ai o cara deixa a mina em casa, chega na casa dele com o ego nas estrelas, sorriso de orelha a orelha. Viva! Gozei. Sem usar minhas mãos. No dia seguinte acorda e pode ter duas reações: “Que da hora ontem, que mina gostosa”- ele pensa- “Vou dar uma ligada pra ela se não for rolar nada hoje”- com os amigos, obvio, pra contar da mina gostosa que ficou ontem. Ou o carinha acorda e pensa na merda que fez! “KCT meu, a mina vai se apaixonar ( já imaginando que sua performance foi excelente) , e eu não to afim. Mas meu, foi massa a transa, acho que já era, quando quiser eu jogo um xaveco”. "Depois eu mando um email." Nos dois casos o homem se masturba. Pizza fria.

É isso que anda acabando com os relacionamentos monogâmicos há séculos! A igreja vem perdendo força e é inevitável que as relações Homem/Mulher voltem a ser mais simples. Talvez instintivas. Menos racionais. A monogamia e a fidelidade existem desde que haja sinceridade desde o começo. O que não acontece. Ou pelo menos não acontecia. Comigo pelo menos. Também escrevi emails sentimentais querendo comer mais uma menina. Sexo fácil! Pervertido. Masturbação em casal.
Emails que deixavam bem claro que era amigo ao mesmo tempo em que amava. Ou dizia que amava com a esperança de sempre dar uma “pingadinha”. Ambigüidade nojenta. Incoerente e sem sentido algum pra mim hoje. Como pude, logo eu que quero ser diferente dos outros machos da minha espécie, usar desse joguinho medíocre?

Já que citei uma, cito outra: Skol amigos. http://www.youtube.com/watch?v=3hQzskmQjQo

Num ponto do filme, o narrador pergunta sobre a amizade entre homem e mulher e responde no ato: Não.
Existe sim. Desde que seja sincero. Como disse logo acima. Sabemos quem são as amigas e quem não são. Sabemos quando uma delas esta gostando da gente ou não. Precisamos deixar de ser canalhas e achar que todas um dia vão dar pra gente! Deixar de acharmos que a conquista é única como uma formula. Que se deu certo pra uma dará para todas as outras. E isso meu amigO, não é ser gay! Pensar que sempre que um cara que tenha amigas ou é gay ou ta afim de “catar” uma, é muito pequeno perto do que a mulher é hoje. Não rola mais a cena dos homens das cavernas que leva a mulher pelo cabelo!
Coração galera! Escutem o coração quando o assunto é relacionamento. Esqueçam a cabeça.
Fiquei feliz no fim das contas. Percebi que mudei mesmo e já coloquei em prática. E que está sendo muito melhor. Os sentimentos quando sinceros devem ser expressos, quando falsos, não senti-los! Delete do seu leque de sabedoria a possibilidade de dizer que ama sem de fato amar. Ou que é amigo querendo ser amante. Paremos de confundir as cabeças, de nos enganar.
Se os sentimentos estão a ponto de explodir, explodam com toda força da verdade! É ótimo! E deixa a vida muito mais interessante.
Boa semana pros cuecas e pras calsinhas!