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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Matinal

Por mais que eu tente me desvencilhar da televisão logo de manhã, tornou-se quase um ritual abrir os olhos ramelentos , focalizar na fresta entre minha janela e o mundo lá de fora e tentar prever o tempo e na seqüência procurar o controle remoto. No breve instante entre o apertar o botãozinho vermelho e escutar aquele ruidinho agudo da TV ligando, penso se vou ver a Mariana Godoy no Bom Dia São Paulo ou já está não hora do Bom dia Brasil.
Depois de abastecer-me de notícias, hoje basicamente sobre a Copa, deixo a televisão falando sozinha e vou para minha higiene matinal. Durante o banho escuto o “Acorda menino, acorda menina” da Ana Maria Braga.
Enquanto me visto assisto o Mais Você esperando uma receita que seja fácil e que sirva para meu almoço, penso que depois eu pego pela net e imediatamente uma saudade compulsiva me leva até a sala e aperto o botão que liga meu PC veio. Que saudade de escutar a ventoinha e o “PI” que ele faz ao ligar. Acho que todo mundo tem uma certa relação de amor e ódio com o computador de casa. Eu sinto saudades do meu. Talvez por isso tenham inventado o lap top!
Hotmail, gmail, facebook, Yahoo, esse blog, o palpite, e a Ana Maria e o Louro José disputando pegadinhas lá no quarto. Hoje em dia eu escuto a TV muito mais que assisto.
Lendo alguns posts novos de blogs que assino percebi que o papo la no programa estava diferente. Estavam falando de relacionamento.
Sim! O dia dos namorados. Havia me esquecido.
E papo vai papo vem e muito do que foi dito eu já escrevi aqui e sempre leio em outros lugares por aí. Inclusive uma das convidadas é a mina do “homem é tudo palhaço”.
Falaram sobre os tempos modernos, no papel que a mulher tem na sociedade hoje, em como as relações estão mudadas e como os homens sentem-se perdidos.

Quando estava em plena crise de relacionamento montei esse blog para tentar colocar a casa em ordem, para entender meus sentimentos e tentar racionalizá-los de alguma forma, mas não sentia que era só isso. Outro dia escutei uma escritora dizer ( na TV) que ela escreve para não esquecer. Conclui que era isso mesmo! Escrevo para não esquecer também. Tudo que passei e os erros que cometi estão de uma forma ou de outra, registrados aqui. Escrever é um aprendizado de si.
Descobri tanta coisa sobre meu universo masculino, de como nós homens precisamos aprender a deixar os velhos dogmas e entender mais a mulher. No mínimo prestar mais atenção nela.
Descobri que fui galinha, canalha, cafajeste, que fui meloso, grudento e carente. E tudo isso me transformou num homem muito mais maduro e coerente. Sinto orgulho em dizer que sou um Homem ( com H maiúsculo) hoje. Sinto realmente ter amadurecido e de estar aberto para conhecer o outro “sem medo de se machucar”. Frase que cortei. Medo de sentir é medo de viver.
Vou errar muito ainda. Cada mulher é uma nova experiência, cada novo relacionamento é uma nova experiência e ser sincero e leal tornou-se minha base. Minha bussola para orientar-me nesse caminho tão bonito que é o amor.
Desejo de ter a quem presentear no dia dos namorados todo mundo tem. Todo solteiro quer um aconchego, encontrar um “grande amor”. Mas enquanto projetarmos um sonho na realidade e não prestarmos atenção no que bate aqui dentro de nós, continuaremos batendo cabeça e admirando casais apaixonados.

Aí acabou o papo, os convidados partiram, a Ana Maria finalizou o prato e finalmente desliguei a TV. Escrevi esse post e notei que mais de 1000 pessoinhas já estiveram por aqui. Obrigado por desprenderem seu precioso tempo para ler essas entranhas de entrelinhas!

quarta-feira, 24 de março de 2010

BIG BROTHER

Tá bom, 90 Milhões de pessoas votando num paredão do Big Brother Brasil é considerável. E ligar a TV logo de manhã e encontrar a Ana Maria Braga discutindo o programa com artistas globais e ex-bbbs me fizeram, no mínimo, pensar sobre o assunto.
Fala-se muito em jogo. Porque fulano está jogando, fulana é boa jogadora, bla bla bla. É um jogo, ponto. E partindo desse princípio, quando penso JOGO muitas coisas me vêem a mente: Na escola e as aulas de educação física, na rua e os jogos como esconde esconde, pega-pega, taco...Lembro-me de jogos de carta como o mau-mau onde o objetivo é ferrar os outros.
Falando de mau-mau, uma das jogadas mais deliciosas é o 7. Ao jogar um 7 o próximo da roda come 3 cartas e se for um 7 de Ouros o castigo sobe pra 5 cartas. Acontece que eles são acumulativos, então se o próximo jogador tiver um 7 ele pode somar ao que esta na mesa e o próximo comerá 6 cartas e assim por diante. Muitas vezes a pessoa que primeiro jogou a carta se ferra, pois todos tinham 7. Quando isso acontece é o êxtase de todos! Ganha quem ficar sem cartas nas mãos.

Jogo sempre tem um perdedor. Todo mundo pensa em ganhar, mas apenas 1 vence.

Ai tem o tal do BBB.

O que irrita é esse falso convívio. Esse jogo de afeto superficial e com objetivos bem definidos em cifrões $$$$.
Indicar uma pessoa pro paredão é como jogar um 7, bater uma trinca de ases com um fullhouse no poker, é bater uma tranca, um buraco, é fazer um gol! Imagine se num jogo de futebol, Brasil x Argentina, o Brasil toma um gol e todo mundo sai chorando!!! É tão ridículo quanto esse convívio. A galera fica falando em pressão, em nervos aflorados, em estratégia, uma série de coisas como se fosse realmente a final da copa do mundo. Gente, tchau, adeus, perdeu querido(a), lá fora a gente toma uma! E outro pode virar e dizer ainda:”Olha, se liga que o próximo é você” e assim segue o jogo.

Bom, depois desse descarrego mental, volto ao ponto de partida. As 90 milhões de pessoas que votaram no paredão desse BBB10.
Já tivemos tantos escândalos na política nacional, já temos um Big Brother acontecendo em Brasília há tanto tempo, tem tantos jogadores lá dentro e muitos levam muito mais que 1 milhão e ½ , e não movemos nem o mouse pra fazer alguma coisa. Pra votar na saída de uma pessoa no programa da Globo até pagamos uma lan house.
O Senado, a Câmara, os gabinetes e secretarias deveriam ser um grande BB e deveria existir uma espécie de paredão todo mês! Como não é assim é bom lembrar que esse ano tem eleições.
Num comparativo imediato, deveríamos conhecer nossos candidatos como conhecemos os jogadores do BBB. Discutir tanto quanto. Formar opinião e votar com o mesmo sentimento de estar fazendo a coisa certa. Com o mesmo sentimento de lavar a alma, de prazer em falar e acreditar que ajudou dizendo: EU NÃO QUERO VOCE LÁ!
Quando 180 Milhões de Brasileiros forem às urnas com a mesma vontade que 90 votaram no paredão, aí a gente pode ter esperança!